Foto: Paolo Stefano
O fechamento da fronteira da
Venezuela com a Região Norte do Brasil, ordenado pelo presidente do país
vizinho, Nicolás Maduro, é motivo de preocupação entre os senadores, que pedem
uma saída diplomática para a crise.
Nesta quinta-feira (21), o
governo venezuelano determinou o bloqueio da fronteira para barrar o envio da
ajuda humanitária solicitado pelo autoproclamado presidente venezuelano Juan
Guaidó. Senadores pelo estado de Roraima, região mais afetada pelo fechamento,
temem que Pacaraima, cidade que fica na fronteira, se torne palco de conflitos.
O senador Mecias de Jesus
(PRB-RR) considerou a decisão de Maduro de fechar a fronteira como um ato de
desrespeito aos cidadãos venezuelanos e aos organismos internacionais que
tentam enviar alimentos e medicamentos.
— Lamentamos profundamente a
situação por qual passa nosso país vizinho, que é vítima dos desmandos de um
governo ditatorial, que mergulhou a economia no caos e deixou seu povo à
míngua, sendo obrigado a fugir de suas casas em busca de abrigo em outros
países — criticou.
O senador Chico Rodrigues
(DEM-RR) lembrou que Maduro, legítimo ou não, ainda está instalado como
presidente da República. O senador, que viajou para Pacaraima a fim
de acompanhar de perto o problema, enfatizou que é fundamental garantir a
integridade dos brasileiros que vivem na região.
— Essa ajuda é importante,
mas não podemos transformar a fronteira do Brasil, na localidade de Pacaraima,
num palco de guerra — alertou.
O senador Telmário Mota
(Pros-RR) alertou para os impactos no comércio e para o desabastecimento de
energia. A maior parte da energia consumida no estado é produzida na
Venezuela. Moradores da região também costumam atravessar a fronteira para
abastecer seus veículos.
— Dependemos de
combustível e a Venezuela compra nossos alimentos na fronteira. Hoje nós
consumimos 200 megawatts de energia, dos quais 130 vêm da Venezuela. Corremos o
risco de ficar no apagão — alertou.
Tradição pacífica
Em entrevista coletiva na
noite desta quinta-feira (21), o porta-voz do presidente Jair Bolsonaro, Otávio
Rêgo Barros, informou que o Brasil manterá o envio de ajuda humanitária
programado para o próximo dia 23. No entanto, Barros ressaltou que o "limite
da ação" do país é a fronteira.
Integrantes da Comissão de
Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) esperam que o país honre sua
tradição pacífica. O presidente do colegiado, Nelsinho Trad (PSD-MS), avalia
que o governo brasileiro tem atuado com equilíbrio na crise política e
institucional da Venezuela. Ele registrou que a presidência autoproclamada de
Juan Guaidó foi reconhecida por diversos países, incluindo o Brasil e criticou
o bloqueio imposto por Maduro.
— Torcemos para que as
lideranças e o povo que apoia Guaidó farão essa ajuda humanitária chegar em
segurança aos que necessitam — disse o parlamentar.
Ministro da Defesa durante o
governo Dilma Rousseff, o senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que acompanha
com preocupação os recentes eventos de tensão internacional envolvendo a
fronteira com a Venezuela.
— A defesa da paz e da
não-intervenção são princípios que regem o nosso país nas relações
internacionais desde o início da nossa República. Espero que as autoridades
brasileiras atuem com serenidade, segundo nossa Estratégia Nacional de Defesa,
aprovada pelo Congresso Nacional, que estabelece como princípio contribuir para
a estabilidade regional e para a manutenção da paz e da segurança
internacionais — afirmou.
O presidente do Senado, Davi
Alcolumbre disse considerar mais prudente que o governo mantenha a ajuda
humanitária do lado brasileiro.
— Acho que a Venezuela
não poderia se furtar de receber uma ajuda humanitária, [mas] quem tem que vir
buscar essa ajuda é o Governo da Venezuela — disse Davi.
Informações: Agência Senado

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