No final da tarde da última
quinta-feira (29), o Bloco da Cinquentinha, da Universidade Estadual da Paraíba
(UEPB), desfilou pelas ruas do Centro de Campina Grande. Iniciativa da
Instituição, através da Pró-Reitoria de Cultura (Procult), o Bloco reuniu foliões
que coloriram o Centro Artístico Cultural (CAC), onde houve a concentração, ao
som de muito frevo. A comunidade acadêmica da UEPB aderiu fortemente a ideia do
Bloco, dado que nele estiveram técnicos administrativos, professores e alunos,
além de toda a população campinense, notadamente os artistas da Rainha da
Borborema. Muitos optaram pela fantasia, compondo um momento irreverente e
divertido.
Dentre os participantes da
ocasião estavam o reitor da UEPB, Rangel Junior; o pró-reitor de Cultura,
professor José Cristóvão de Andrade; a diretora do CAC, Patrícia Lucena; uma
das curadoras da sala de Cordel do Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP),
Joseilda Diniz; o coordenador do grupo de Tradições Populares Acauã da Serra,
Agnaldo Barbosa; a presidente do Instituto Solidarium, idealizadora do Festival
de Inverno e do Bloco da Saudade, Eneida Agra Maracajá; e o idealizador do
Bloco Jacaré do Açude Velho, o escultor Flávio Cândido Freire. A Universidade
Aberta à Maturidade (UAMA), como de costume, foi uma atração à parte dentro do
desfile, dando um espetáculo de alegria e descontração, configurando-se, sem
dúvida, como um dos ápices do Bloco.
Para o reitor, o
Cinquentinha resulta de uma escolha da Universidade, que busca estar presente
ao que de mais próximo corresponde aos movimentos populares, apoiando esse
diálogo das expressões culturais. “Temos aqui frevo, samba, forró, uma
variedade de ritmos. A UEPB procura estar inserida na comunidade e acompanhar
as manifestações que dela emanam”, endossou. Já o pró-reitor de Cultura apontou
a retomada dos antigos festejos de Momo, em Campina, como um marco, para o qual
a UEPB mais uma vez dá uma colaboração efetiva. “O Carnaval se reinventa, se
ressignifica, e a Universidade está atenta a isso. E o nosso tema, Somos Resistência,
é muito apropriado, de fato todos aqui são resistência e precisam ser,
especialmente diante do negativo contexto político do país”, observou.
O Cinquentinha saiu pelas
ruas e vielas do Centro de Campina, ganhando mais corpo durante o desfile, dado
que muitas pessoas se juntaram à agremiação no caminho proposto, seguindo o
trio. Um dos destaques do Bloco foi o esmerado estandarte feito pelo artista
Sérgio Nascimento. O Bloco da Saudade também cedeu seu estandarte, criado
também por Sérgio, e que homenageava Jackson do Pandeiro, laureado, igualmente,
pelo Cinquentinha.
A parte musical ficou a
cargo de Anildo Samba Show, Carlos Perê e da Orquestra de Frevo Jovens da
Borborema, contando, ainda, com os professores do CAC e com declamações de
poesia, entre outras exibições, compondo um mosaico que atendia a diversos
gostos. A Cia Livre de Dança, a Companhia de Projeções Folclóricas Raízes, o
Acauã da Serra, o Ballet da UEPB, entre outros grupos, e vários alunos do
Centro Artístico Cultural, eram ao mesmo tempo as estrelas da festa e a
plateia.
Uma
universidade diferente
Para a professora da rede
particular de ensino, Anastácia de Souza Cavalcante, de 38 anos, moradora do
bairro de Santa Rosa, que saiu no Cinquentinha pela primeira vez, a UEPB é uma
universidade diferente. “Gosto muito do trabalho que a Universidade faz e desse
envolvimento que ela tem na vida cultural da cidade. Mostra interesse, compromisso
e desejo de ajudar. Sabemos que as instituições de ensino superior ainda têm
essa coisa do elitismo da academia, da distância da população em geral e, pelas
suas ações, eu não considero a UEPB assim”, explicou.
Para o estudante Dominique
Gomes Oliveira, residente no bairro do Catolé, que estuda em um colégio
próximo, ouviu a música provinda do Centro Artístico e foi conferir com os
colegas, o Carnaval é uma forma de liberdade de expressão. Ao ver o abanador
feito com a imagem do Bloco da Cinquentinha em 2019 – uma mulher negra com
roupas coloridas e uma sombrinha de frevo – ele disse ter lembrado da vereadora
Marielle Franco, assassinada em março de 2018. “Eu acho que o Carnaval também é
um jeito das pessoas colocarem para fora o que incomoda, protestarem. A gente
se mostra feliz, afinal é Carnaval, mas também quer um Brasil melhor. Gostei
muito do bloco e do tema escolhido, esse é o segundo ano que venho ver”,
afirmou.
Em 2016, a Universidade
Estadual da Paraíba completava cinco décadas de fundação e o pró-reitor adjunto
de Cultura, José Benjamim Pereira Filho, sempre atuante na Instituição,
imaginava como comemorar a data de modo que agregasse toda a comunidade ao
redor da efeméride. Assim surgiu o Bloco da Cinquentinha e não podia ser de
outra forma, nem em outra época, posto que uniu todo o contentamento trazido
pelo aniversário de 50 anos da UEPB ao contínuo aflorar do Carnaval em Campina.
Em 2019, o tema abordado foi “Somos Resistência”, com uma marchinha composta
por Alberto Alves e Carlos Perê. O apoio foi concedido pela Creduni e o
Bilhetão.
Informações: http://www.uepb.edu.br






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