
Senadores
e deputados analisam medidas provisórias do novo governo e também da gestão
Bolsonaro
Senadores e deputados iniciam o ano legislativo a partir do dia 1º de fevereiro já com a missão de deliberar sobre 27 medidas provisórias (MPs). Todas ainda precisarão passar pelo Plenário da Câmara dos Deputados para depois seguir ao Senado. A maior parte delas está em análise em comissões mistas.
Entre
as MPs, estão iniciativas como a que mantém o benefício de R$ 600 do Auxílio
Brasil (MP 1.155/2023), a que prorroga a desoneração de
tributos federais sobre combustíveis (MP 1.157/2023) e a que extingue a Fundação
Nacional de Saúde — Funasa (MP 1.156/2023). As três MPs foram editadas já no
governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, há ainda medidas
provisórias assinadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, como a MP 1.134/2022, que libera R$ 2,5 bilhões para
custear a locomoção de idosos em transporte público e perde a validade logo no
dia 2 de fevereiro.
Salário mínimo
Outra
matéria que será analisada pelos congressistas é a MP 1.143/2022, que fixa o valor do salário mínimo
em R$ 1.302. O texto foi encaminhado pelo governo Bolsonaro, porém os
parlamentares aprovaram, em dezembro de 2022, o Orçamento Geral da União de
2023 com a previsão do salário mínimo de R$ 1.320. A decisão acompanhava a
orientação do novo governo naquele momento da votação. Mas já no início de
janeiro, o governo do presidente Lula voltou atrás no entendimento de aumento
de 3% do mínimo e informou que manterá, por enquanto, o valor que já está
estabelecido na MP 1.143. A matéria recebeu seis emendas.
Pronampe
Também
na lista de medidas editadas pelo governo Bolsonaro, está a MP 1.139/2022, que amplia de quatro para até seis
anos o prazo de quitação dos empréstimos no âmbito do Programa Nacional de
Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). A nova
regra vale para contratos futuros, mas autoriza a prorrogação das operações em
vigor.
No
caso das novas linhas de crédito, os juros serão determinados segundo condições
do Ministério da Fazenda. Até a edição da MP, no dia 27 de outubro de 2022, as
linhas de crédito seguiam a taxa Selic (hoje em 13,75% ao ano) mais 1,25% sobre
o valor contratado, para financiamentos feitos em 2020; ou a Selic mais 6% para
financiamentos concedidos a partir de 2021. O texto já teve tramitação
prorrogada por mais 60 dias e precisa ser votado até o dia 5 de abril para que
as regras continuem valendo.
Setor aéreo
Outra
medida provisória do governo Bolsonaro altera a lei que institui o Perse —
Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (MP 1.147/2022). O texto zera as alíquotas do PIS e
da Cofins sobre as receitas decorrentes da atividade de transporte aéreo
regular de passageiros auferidas no período de 1º de janeiro de 2023 a 31 de
dezembro de 2026. Quando foi editada, a equipe econômica alegou que a medida
promove o fomento do setor e não resultaria na renúncia de receitas tributárias
e nem impactaria a receita do exercício de 2023.
Isenção para combustíveis
Uma
das MPs assinadas pelo governo Lula e que vai demandar atenção dos
parlamentares com certa urgência é a que prorroga a desoneração de tributos
federais sobre combustíveis. Pela MP 1.157/2023, as alíquotas de PIS/Pasep e
Cofins incidentes sobre óleo diesel, biodiesel e gás liquefeito de petróleo
ficam reduzidas a zero até 31 de dezembro deste ano. Já a cobrança dos dois
tributos sobre gasolina e álcool fica suspensa até 28 de fevereiro. A isenção
também vale para combustíveis importados.
Auxílio Brasil
A
medida provisória que mantém o benefício de R$ 600 do Auxílio Brasil também
traz um acréscimo para o Programa Auxílio Gás, no valor de metade do botijão. A
MP 1.155/2023 institui adicional de R$ 200 no valor mensal pago às
famílias que recebem o Auxílio Brasil, o que leva o total do benefício a R$
600.
Os
recursos foram garantidos por emenda constitucional promulgada pelo Congresso Nacional no fim do ano
passado (Emenda Constitucional 126). Um segundo adicional
do Auxílio Brasil, no valor de R$ 150 para cada criança de até 6 anos de idade,
também estava nas negociações da PEC que se tornou a EC 126, mas não entrou na
MP. A MP tem prazo de validade máximo até o dia 2 de abril.
Extinção da Funasa
A
medida provisória que extingue a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) faz
parte do conjunto de mudanças na estrutura do governo que foram feitas pelo
presidente Lula. As atividades da fundação estão sendo transferidas para outros
órgãos de governo.
A
Funasa é uma fundação pública vinculada ao Ministério da Saúde e tem o seu
trabalho voltado para a promoção e proteção da saúde, implementando ações
especialmente na área de saneamento para prevenção e controle de doenças. A
sede fica em Brasília e cada estado tem uma superintendência. Com as mudanças
previstas na MP 1.156/2023, as atividades relacionadas à vigilância em saúde e
ambiente ficarão com o Ministério da Saúde, e as demais atividades da Funasa
serão assumidas pelo Ministério das Cidades.
Veja outras medidas provisórias em
tramitação no Congresso:
· MP
1140/2022: cria programa de prevenção ao assédio sexual nas escolas
· MP
1138/2022: reduz tributos sobre remessas ao exterior para cobrir gastos com
viagens
· MP
1137/2022: zera IR para estrangeiros que investem no Brasil
· MP
1153/2022: suspende até 2025 aplicação de multa a motoristas sem exame
toxicológico
· MP
1152/2022: altera legislação sobre Imposto de Renda e Contribuição Social
de empresas
· MP
1151/2022: estimula mercado de créditos de carbono na gestão de florestas
· MP
1150/2022: dá mais 180 dias para adesão ao Programa de Regularização
Ambiental
· MP
1149/2022: autoriza Caixa a administrar fundo do DPVAT em 2023
· MP
1148/2022: prorroga regras para empresas brasileiras que atuam no exterior
· MP
1146/2022: altera tabela de cálculo de vencimento de servidores no exterior
· MP
1145/2022: altera valor de taxa de fiscalização de tacógrafos
· MP
1144/2022: abre crédito R$ 7,5 bi para o Ministério do Trabalho e
Previdência
· MP
1142/2022: prorroga contratos de profissionais da saúde no RJ
· MP
1141/2022: autoriza contratações sem processo seletivo para atuação no
Censo 2022
· MP
1136/2022: dispõe sobre o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (FNDCT)
· MP
1135/2022: trata de repasses para o setor cultural
· MP
1160/2023: restabelece o voto de qualidade no Carf
· MP
1159/2023: tira ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins
· MP
1158/2023: retorna o Coaf ao Ministério da Fazenda
· MP
1154/2023: atribuições dos 37 ministérios do novo governo
Fonte:
Agência Senado
Nenhum comentário:
Postar um comentário