Agosto não é apenas o mês de celebrar os pais biológicos ou adotivos. Existe
outra forma de família, constituída unicamente no afeto e no amor, conhecida
como paternidade socioafetiva. O reconhecimento desse tipo de filiação pode ser
realizado em cartório, de forma extrajudicial e sem a intervenção da Justiça.
"A paternidade socioafetiva é um vínculo que se forma entre pai e filho
que não possuem ligações por sangue ou adoção, diferente da paternidade biológica,
resultante de laços sanguíneos", explica o presidente da Associação dos
Registradores de Pessoas Naturais do Estado de Pernambuco (Arpen–PE), Marcos
Torres.
De acordo com dados da Associação dos Notários e Registradores do Brasil
(Anoreg), o Brasil já possui 44.942 registros de paternidade socioafetiva -
desde 2017 - quando se tornou possível o reconhecimento diretamente nos
cartórios. “Estão aptos a reconhecer o vínculo de filiação afetiva quaisquer
pessoas maiores de 18 anos, independentemente do estado civil, e desde que não
sejam irmãos e ascendentes e também que sejam 16 anos mais velhas do que o
filho a ser reconhecido. O filho ou filha deve ter idade mínima de 12 anos para
que o procedimento tramite na via extrajudicial”, explica Marcos. “Os
interessados no procedimento devem apresentar documentos pessoais e comprovar a
filiação socioafetiva, mas se o filho tiver idade entre 12 e 18 anos, será
necessária a anuência dos pais biológicos e passar pela análise do Ministério
Público”, completa.
Segundo Recurso Extraordinário 898.060/SC, do Supremo Tribunal Federal (STF),
não há hierarquia entre a paternidade socioafetiva e biológica. “…a paternidade
socioafetiva, declarada ou não em registro, não impede o reconhecimento do
vínculo de filiação concomitante, baseada na origem biológica, com os efeitos
jurídicos próprios”, diz o recurso. "O reconhecimento de paternidade, seja
ele biológico ou afetivo, é fundamental para o desenvolvimento e a qualidade de
vida do filho. Além de garantir direitos essenciais, como moradia, lazer, educação
e condição de herdeiro", destaca Marcos.
Fotos:
Pixabay
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