MERECIMENTO
Existe
uma palavra que sumiu do nosso vocabulário político e que precisava ter voltado
faz tempo: merecimento.
A
gente se acostumou a votar por raiva, por costume, por conveniência. Quase
ninguém para e faz a pergunta mais simples de todas: esse nome aqui merece?
Vou
contar uma história e deixo a resposta com você.
Ele
tinha dois anos quando perdeu o pai. Foi criado por uma professora, dessas
mulheres que seguram uma casa inteira nas costas e ainda encontram força para
corrigir caderno na mesa da cozinha depois que todo mundo já dormiu. Estudou a
vida inteira em escola pública. Não teve sobrenome que abrisse porta, não teve
atalho, não teve plano B. Passou na UFPE e se formou médico.
Podia
ter ficado no Recife. Com o diploma de medicina na mão, o caminho confortável
já estava desenhado. Ele escolheu o sertão. Veio com coragem e uma mala cheia
de saudade e de sonho, que é a bagagem mais pesada que alguém pode carregar.
Chegando
aqui, bateu na porta de um hospital particular da cidade e ouviu não.
É
nesse ponto que a história me pega. Porque é exatamente ali que a maioria das
pessoas desiste e volta para casa. Ele vendeu o carro. Vendeu o carro que tinha
para pagar o aluguel de um prédio e montar a própria clínica, do zero, sem
padrinho e sem rede de proteção. Aquela clínica se tornou, com o tempo, a maior
do interior do semiárido nordestino.
Foi
ele quem realizou o primeiro transplante de córnea do interior do Nordeste.
Petrolina virou manchete no Jornal Nacional por uma boa notícia, o que já é
raro o bastante. Gente da nossa terra voltando a enxergar sem precisar pegar
estrada para capital nenhuma.
Repare
que até aqui eu não falei de política. E é justamente isso que eu queria que
você percebesse. Muito antes de qualquer urna, esse homem já tinha escolhido
cuidar de gente. A política veio depois. Ela não o transformou em nada, ela
apenas ampliou o alcance daquilo que ele já vinha fazendo com as próprias mãos.
Quando
foi eleito prefeito, continuou fazendo a mesma coisa. Só que para a cidade
inteira.
Criou
o Nova Semente, que se tornou o maior programa de acesso à creche do país e
ganhou reconhecimento muito além das nossas fronteiras. Criou as AMES e
devolveu dignidade ao atendimento de quem depende do serviço público, deixando
Petrolina com a maior cobertura de saúde da família de Pernambuco e uma das
maiores do Brasil. Puxou o IDEB para o maior avanço da nossa história, com
resultado acima do de mais de vinte capitais brasileiras. Entregou quinze mil
moradias no maior programa habitacional que esta cidade já viu. Qualificou mais
de quinze mil jovens, gente que hoje trabalha e sustenta a própria casa por
causa de um curso que apareceu na hora certa.
Quando
entregou a chave da prefeitura, Petrolina era eleita a melhor cidade para se
viver do interior do Nordeste. Isso não caiu do céu.
Mas
tem uma parte dessa história que não cabe em número nenhum.
Dois
AVCs. E, mais recentemente, um câncer.
Ele
podia ter tratado tudo em silêncio, longe dos olhos, e reaparecido só no fim,
curado e bonito na foto. Fez o contrário. Mostrou o caminho enquanto o caminho
ainda era duro, com a fragilidade toda aparecendo. E, ao mostrar, virou remédio
para muita gente que estava sentada naquela mesma cadeira de quimioterapia sem
coragem de continuar. Não sei dizer quantas pessoas decidiram lutar mais um dia
porque viram aquilo. Sei que não foram poucas.
Merecimento
é isso. Não é ter sofrido, porque sofrimento sozinho não elege ninguém e nem
deveria eleger. Merecimento é o que a pessoa faz com aquilo que viveu.
Quem
foi criado por uma professora sabe o que vale uma sala de aula. Quem já ouviu
não sabe exatamente o tamanho de uma oportunidade negada. Quem devolveu a visão
de alguém sabe o que a saúde pública significa na vida real, e não no papel. E
quem já olhou para o câncer de frente dificilmente vai se acovardar diante de
qualquer outra briga.
Por
tudo o que viveu, por tudo o que fez, por tudo o que atravessou e por tudo o
que ainda sonha em fazer, eu acredito que Júlio Lossio merece o nosso voto para
deputado estadual.
Porque
quem lutou daquele jeito pela própria vida vai lutar de verdade pela nossa.
-
Robson Rocha (cidadão Petrolinense e consultor em políticas públicas).



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